15 de março de 2009

Aprender a rezar na era da técnica

Tradicionalmente há a tendência para as colocar quase como se fossem dois inimigos, a ciência e a religião. A ciência como espaço que vai tirando bases e fundamentos religiosos através de novas investigações. Eu acho que podemos não ter esta visão dualista entre ciência e religião. Para já, os próprios métodos científicos pressupõem internamente uma espécie de crença. Aliás, há vários autores que falaram sobre esta ideia: a ciência, dentro dela própria, tem uma crença nos seus métodos. Uma crença que não é uma crença religiosa, não é uma crença num deus ou em vários deuses, mas é uma crença nos seus métodos. Portanto, acredita que os seus métodos conseguem chegar à verdade. E isto é, de certa maneira, uma crença. Por outro lado, há inúmeros casos de cientistas crentes. Cientistas de grande qualidade extremamente crentes. Portanto, não é uma coisa que invalide a outra. Penso, aliás, que há uma tendência mais recente… Há várias tendências. Há uma tendência anti-religiosa, há uma tendência científica que se aproxima da religião. Há tantas tendências e tão diferentes que é difícil dizermos que a ciência vive sem religião ou que a religião se afasta da ciência, ou vice-versa. Há uma série de movimentos que estão a aparecer. O que só mostra que, realmente, a religião é uma coisa que não se pode eliminar das vidas. Isso para mim é muito claro. Mesmo quando uma pessoa combate a religião, é sinal de que o carácter religioso continua presente e tem importância. Porque nós não combatemos algo que não tem importância. A única conclusão que eu tiro é que mesmo com a evolução científica prodigiosa dos últimos tempos, a religião continua sempre, qualquer que ela seja, a ter o seu espaço.
Gonçalo M. Tavares (a entrevista completa pode ser lida no link do título deste post)

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