30 de janeiro de 2008

O PORTO

---------------------- foto de Pedro Moreira in http://www.olhares.com/ --------------------

"Amo o Porto, esta cidade onde a vida absorve as cores, os aromas, os sentimentos, que nos seduz e adopta em doses generosas de simplicidade e entrega, onde o mistério insinua as histórias que o silêncio carrega. Amo as brumas que anunciam o sol generoso, o cheiro do mar rebelde e frio que abraça o rio numa foz de encantos. Amo os sons que se perdem em ecos que a memória preserva e as gentes que inventam a rotina à medida da pressa. Amo tudo em cada pequeno pedaço, como se esta cidade fosse feita de pele, do linho em que adormeço à noite...
Abro a janela e deixo as palavras fluírem ao sabor da brisa e vejo nelas as imagens deste meu espaço protegido onde abrigo a esperança, neste Porto em tons de ocaso..."

José Carlos Alves

25 de janeiro de 2008

APENAS...

O ocaso foi suave e quente...
num mar dócil e azul...,
apenas quis que soubesses...,
deste sol que partiu,
desta noite que se anuncia...
Apenas..., carrega a perenidade do tempo...
Ficar..., o desejo que se cumpre num olhar...
Sempre..., o impulso da vontade impotente..., à perenidade do tempo...

José Carlos Alves

24 de janeiro de 2008

SÚPLICA

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.


Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor

Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

foto Mª José Amorim in www.olhares.com

Miguel Torga

17 de janeiro de 2008

Dor de dentes no Coração

O texto que se segue é de Miguel Falabela. Acho-o muito bonito e, por isso, gostaria de o partilhar. Eu defino como "Dor de dentes no coração".

"Em alguma outra vida, devemos ter feito algo de muito grave,
Para sentirmos tanta saudade...
Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé , doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa,
Dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe,
Saudade de uma cachoeira da infância,
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais,
Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu,
Saudade de uma cidade,
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem estas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar no quarto e ela na sala, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela pra faculdade, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor,
Ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando num ambiente frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi à consulta com o dermatologista como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre culpada,
Se ele tem assistido às aulas de inglês, se aprendeu a entrar na internet,
A encontrar a página do Diário Oficial, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros,
Se ele continua preferindo Malzebier, se ela continua detestando McDonalds,
Se ele continua amando, se ela continua a chorar até nas comédias.
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos,
Não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento,
Não saber como frear as lágrimas diante de uma música,
Não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
É não saber se ela está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer.
Saudade é isso que eu estive sentido enquanto escrevia
E o que você provavelmente estará sentindo depois que acabar de ler."

16 de janeiro de 2008

OPUS e COPUS

Santos Ferreira foi eleito presidente do BCP, numa eleição em que terão contribuído votos correspondentes a acções que foram compradas com dinheiro emprestado pela CGD, antigo banco liderado por Santos Ferreira.
O esquema é sempre o mesmo. É como quem dança o vira. Agora viram para aqui e depois para acolá! Armando Vara nem sequer se demitiu da Caixa. Se ganhasse demitia-se, se perdesse lá continuava, não fosse perder o "tacho".
Vamos ver agora o que vai acontecer ao Fundo de Pensões dos funcionários do BCP... se também vão contribuir para diminuir o deficit do Estado Português!!!

10 de janeiro de 2008

A liberdade de cada um acaba onde começa a do outro!!!

A nível ambiental registe-se, em 2008, a proibição de fumar em recintos fechados! Parece-me lógico que os não fumadores não tenham de aturar o fumo dos outros, e sofrer as consequências nefastas de tal situação. Contudo, ainda há quem se indigne com esta medida...

Advogam que os fumadores também têm os seus direitos. Sim, têm o direito de se tornarem utentes mais frequentes do Sistema de Saúde. Acham que deveriam ser os restaurantes, bares e demais instituições a decidir se são espaços de fumadores ou de não fumadores, o que iria equivaler a tudo continuar como até aqui, ou seja os não fumadores, a terem de se sujeitar ao fumo se querem frequentar esses lugares. Isto, claro, já para não falar daqueles que são obrigados a trabalhar nesses locais!

Se se pretendem envenenar que o façam sozinhos!
É a falta de civismo e de respeito pelo outro, como habitualmente...isto para já não falar daquilo que cada não fumador vai ter de contribuir quando, e está provado estatisticamente, um fumador tiver de recorrer ao Serviço Nacional de Saúde para se tratar dos danos causados pelo uso do tabaco, se ainda for a tempo!!! Em caso de já ser tarde o contribuinte terá de pagar uma pensão ou uma reforma antecipada, tudo em abono do direito dos fumadores!!!

8 de janeiro de 2008

Chove!


Hoje, chove mais cá dentro do que lá fora...mas lá fora também está um dia enevoado e cinzento... ´


Mas, como alguém dizia


"A vida é uma pedra de amolar: desgasta-nos ou afia-nos, conforme o metal de que somos feitos!"


4 de janeiro de 2008

Subrepticiamente 2008 entrou

2008 entrou subrepticiamente, sem grandes alaridos e sem grandes manifestações, suavemente, e espero que em beleza, mantendo de 2007 tudo o que foi bom, melhorando se possível, e renovando o que não esteve tão bem!
É o passar inexorável do tempo, tornando-nos mais sábios mas também mais idosos, mais cansados, e lentamente fazendo diminuir as nossas capacidades... Este é o aspecto mais triste do envelhecimento...custa tanto ver aqueles que nos são queridos a perderem algumas capacidades, paulatinamente e sem retrocesso...
Há tempos recebi um e-mail em que se dizia que a vida estava toda ao contrário. Devíamos começar velhinhos e ir rejuvenescendo. Em plena pujança deveríamos também ter aquela estabilidade financeira que, normalmente, só se atinge com a idade, passávamos a crianças e toda a gente nos adorava e se preocupava connosco e terminávamos, aconchegados no ventre materno, no êxtase de um orgasmo!

Que 2008 seja um ano fantástico!